alicerce

quarta-feira, 22 de junho de 2011

15 # Carta para a pessoa da qual tens mais saudades


Provavelmente não são mesmo saudades. Ou se são, talvez esteja mesmo certa. Acho que decidi chamar-lhe de saudades, para que fosse mais simples esta situação.
És provavelmente uma das pessoas mais especiais que encontrei na minha vida. Não foste a primeira pessoa que me causou esta estranha sensação à qual não sei chamar. Sei que tens um dom para transformar os meus dias com simples palavras. És especial, talvez te possa chamar assim.
É a sensação estranha de te ver na rua e de as minhas mãos começarem a tremer como se não fosse possível, como se fosses uma miragem no meio do deserto. É a sensação de saber que tens um poder diferente em mim, em relação às outras pessoas. É a sensação de te imaginar em frente a mim e na realidade quem está é apenas mais uma pessoa.
Sim, apenas mais uma pessoa porque não é isso que te considero.

terça-feira, 21 de junho de 2011

abraça-me

Estou a morrer, estou a morrer por dentro e por fora. Nunca pensei que o teu corpo e a tua alma albergassem tanto em mim. Quando eu era pequena, lembro-me da primeira vez que fizeste questão em ires-te embora. Em ires trabalhar. Foste para a Inglaterra. Eu não sabia bem o que se estava a passar e sorria naturalmente. Mas quando chegou o dia de ires, eu percebi que as malas já estavam prontas e que a tua presença iria faltar. Desde então o nosso primeiro e último cumprimento foi sempre um abraço, dos melhores que recebo ao longo dos anos, sem dúvida.
Era ingénua e muito pequena e quando senti a ausência do teu corpo a vaguear por uma casa, por um lar destruído, decidi esconder-me atrás daquela mesa vulgar que suporta o peso da televisão. Para mim, o isolamento era perfeito. Já que a mãe fazia questão em ter-me por perto, talvez para me tentar proteger. As minhas lágrimas já não tinham fim e o meu olhar parecia apagar-se aos poucos.
Lembro-me também de todas as vezes em que chegaste de madrugada, mas nunca, nunca te esqueceste de vir à minha cama abraçar-me. Por mais cheiro a tabaco que transportasses, por mais cansaço que sentisses, eu fui sempre a primeira pessoa que pôde sentir a tua presença aqui.
É claro que o que pesa mais são os maus momentos, mas se queres saber, estou a conseguir ultrapassá-los com facilidade. Já não me fazem confusão, são apenas recordações que creio não esquecer.
Os anos foram passando e as saudades foram diminuindo, por mais estranho que pareça, já me habituei que assim fosse. Mas és o meu sangue, parte da minha vida.
Sabes quando é que as saudades apertam mesmo? Quando tenho de me ver ao espelho e deparar-me com a cor dos meus olhos, os traços do meu rosto e partes do meu corpo que são baseadas em ti.
Já não suporto ver-te apenas uma vez por ano, fazes-me falta, mais do que nunca. Quero que o dia dezassete chegue rápido. Quero ver novamente a lua no céu, quero estar preparada para dormir e embalar-me novamente nos teus braços. Esperando que à diferença da primeira vez, a minha cara não se torne húmida pelas lágrimas.

sem fundamento

parque da cidade 19/06/11

Por vezes dou por mim a pensar tudo ao contrário. Tentando fazer com que algo tivesse sentido. E se no verão, eu me sujasse com os dióspiros? E se no Inverno eu me refrescasse com as melancias? Não faria sentido. O inverno não faz sentido sem que eu pregue uma grande nódoa numa das minhas peças preferidas (apesar de fazer de tudo para que isso não aconteça). O Verão não faz sentido se eu não levar, algum dia, para a praia melão ou melancia. Já faz parte. Já é rotina. É banal. Mas e então se o mar o céu fossem vermelhos? São perguntas bem formadas, mas sem qualquer fundamento.
Tal como eu tenho dito, "Deus escreve direito em linhas tortas".

segunda-feira, 20 de junho de 2011

domingo, 19 de junho de 2011

contagem decrescente

3 dias

16 # Carta para alguém que não está na tua cidade ou país


Setembro. Já vai longe. Já foi a altura onde os nossos corpos se juntaram e sorriram, como sempre. Podemos ter os piores defeitos, mas o que importa mesmo, é que juntos somos felizes.
Deixei de te culpar por inúmeros problemas que se sucederam e deixei o passado para trás das costas. É realmente difícil olhar para ti, como se o teu olhar ainda fosse jovem. Tenho pena que o nosso comportamento tenha mudado desta maneira e que mesmo assim não possamos estar juntos quando nos “dá na gana”.
Talvez a vida seja mesmo assim e nós ainda não nos tenhamos habituado a ela.