alicerce

segunda-feira, 13 de junho de 2011

pormenor de uma vida


Maldita a hora em que me ofusquei à realidade. Maldita a hora em que me deixei levar por frases mal ditas, sem fundamento. Agora arrecado exactamente o meu erro. Talvez na altura não houvesse outra opção mas agora, arrependo-me. Não das decisões que tomei, mas apenas de uma que alterou por completo a minha vida. Talvez conseguisse, hoje, recuar. Mas sinto-me sem forças para voltar àquele passado constante de choros, de falinhas mansas mas mesmo assim, eu sorria sem grandes esforços.
Aquele conhecimento constante dava-me forças para o dia-a-dia, aquela forma de desatar a contar a toda a gente o mais mínimo pormenor de uma vida. Já se foram essas épocas, épocas que ficarão, mas não voltarão.

sábado, 11 de junho de 2011

17 # Carta para alguém da tua infância


Talvez só nos tenhamos apercebido do quão importantes éramos, uma para a outra no final de tudo. Tarde demais. Nessa altura já eu estava mentalizada de uma nova etapa na minha vida. Se queres mesmo que te diga, não me arrependo. Ainda tínhamos nós meses quando pela primeira vez, sorrimos mutuamente, sem que quebrassem esse ritmo presente em nós. Para onde foi esse ritmo? Provavelmente já vagueia no oceano mais longínquo. Tão longínquo que não consiga voltar. Estás drasticamente diferente e talvez também seja culpa minha, já que te abandonei sem que pudesses dizer adeus. Por vezes tem de ser assim, por vezes não podemos dizer adeus a algo que ainda está e ficará bem presente. Estou um pouco desiludida contigo, confesso. Julguei-te mais forte. Mas o teu reinado derrotou-te lentamente, até que para atingires o teu nível tivesses que te transformar. Mas esperança eu já nem tenho, pois eu sei, eu sei que ambas estamos felizes assim.