alicerce

sábado, 30 de abril de 2011

23 # Carta para a última pessoa que beijaste

Pensei que iria demorar mais tempo até que o vento te levasse. Lembro-me de no passado ires e vires como e quando querias. Pois agora, a tempestade levou-te para tão longe que não possas voltar com os teus próprios pés. Lembrar-me de ti já se torna uma obrigação, ou então, minto. Por vezes, quando estou com insónias teimo em pensar em tudo aquilo que me atormenta e chegas tu. Vestido com a mesma roupa do primeiro dia, dizendo que é o último. E és um pouco cobarde, meu amor. Talvez aquela praia onde pela última vez nos beijamos estivesse tão cheia, que eu não tenha sido a única a reparar no teu olhar pacato. Estávamos os dois, pensando que seria o local mais apropriado. E lá foste tu com o verão, também.

24 # Carta para a pessoa que te deu a tua melhor memória


Tenho imensas saudades dos nossos momentos, do nosso primeiro encontro. É incrível. Sou capaz de estar estes meses todos sem saber nada de ti  e se por ventura tivesse de te ouvir, eu saberia que eras tu. Talvez nessa altura o meu sorriso se alargasse de orelha a orelha, tal e qual o primeiro dia. Por mais etapas na minha vida, eu sempre te relembrei como um ser diferente. Uma presença marcante. Será sempre assim. Até que um dia, sem que esteja preocupada com a tua presença, apareças mesmo diante o meu olhar. Tenho pensado em ti, confesso. Em ti e em todas as memórias nos atrevemos a partilhar. Talvez aconteça mais uma vez, cruzar-me contigo no autocarro, ou ligares-me sem explicação, anseio a tua próxima chegada.  

quinta-feira, 28 de abril de 2011

soul III


Talvez as luzes ainda estejam apagadas e essa tua alma tenha descido de lugar. Redimires-te não é razão. Esforça-te. Mais do que ninguém sempre soubeste que só consegues realizar os teus desejos que lutares por eles. Deixa que o teu instinto te guie e não ligues a cruzamentos, só te farão perder tempo.
Vais caindo aos poucos, como quem começa a envelhecer, com uma pequena diferença, a tua idade não o justifica. Essa solidão interior, enquanto estás completamente rodeada por sóis que fazem questão em iluminar-te. Volta a ser o que eras, afinal, o que é que perdes?

domingo, 24 de abril de 2011

25 # Carta para a pessoa que sabes que estará presente nos tempos mais difíceis

Cá estamos nós outra vez. Eu e tu, perdidinhas de amor uma pela outra. Posso não mostrar mas tu sabes que eu estou. Bendito o dia em que olhaste por ti abaixo e docemente deslizaste a tua mão sobre o meu primeiro lar, sobre a primeira pessoa que sem hesitar me alimentou e me viu, de uma forma muito discreta crescer ao longo daquelas 42 semanas. Tornámo-nos demasiado intimas para que hoje pudesse menosprezar-te ou largar-te. Não seria digno. Logo tu, que mais do que me veres crescer choras-te quando eu chorei, sorriste quando sorri, limpaste quando eu sujei e sobretudo amaste-me mais do que ninguém. Eu tenho a certeza. Gosto de recordar momentos em que ao te dizerem que certo gesto me iria magoar, choraste antecipadamente e o mais engraçado é que na altura de eu sofrer verdadeiramente, não chorei uma única lágrima. É fantástico, não é? O amor que és capaz de depositar num ser como eu. Num ser igual e diferente de tantos outros. Não haverão palavras nem vidas que servirão para descrever o amor que sinto por ti. O mais que poderei fazer é agradecer-te. Porque eu sei, eu sei que estarás aqui para o bem e para o mal. 

sábado, 23 de abril de 2011

you

you are my life ! 

26 # Carta para a última pessoa a quem fizeste uma promessa

É no recubro da noite que me debruço sobre ti. Já os pássaros desistiram de me apoiar nas tarefas mais difíceis quando tu chegas e decides acolher-me nesses teus braços que realmente ocupam o mundo. Não me pedes que te ajude, não me pedes que me cale, ficas por aí a ouvir-me sem que algum ruído me interrompa. Nas noites mais difíceis, em que o trabalho diário supera qualquer expectativa e os meus olhos decidem deixar marcas no ambiente, limpas-me as lágrimas e fazes com que o dia seguinte seja melhor. Talvez nesses mesmos momentos estejas contemplando outra beldade e acenando-me com a cabeça, mas a verdade é que estás lá. Não ouso interromper-te no pestanejar de um olhar, tão pouco num abrir suave dos lábios. O teu toque soa-me a esperança e eu sei que não a posso remover. Sabes que não sei invocar algo que não cumprirei. Talvez necessite de, inevitavelmente inserir nas minhas frases críticas um “tentar”. Eu jurei tentar, eu cumprirei.