alicerce

sábado, 16 de abril de 2011

come back

Confesso já sentir saudades de voar, de sentir o calor do vento percorrendo-me o rosto e abrindo horizontes aos meus abrigos. Onde andas caranguejo?
Eu preciso de ti agora, mais do que nunca. Onde te refugiaste? Ai se eu te pudesse encontrar e pedir-te para me protegeres. Talvez ai, ainda saibas que preciso realmente do teu conforto, ou talvez tenhas perdido esse teu dom de me reconfortar. Sabes que o meu caminho precisa de ser preenchido de pedras enormes, onde me possa apoiar. O tempo não mudará isso. Para onde foram elas? Volta caranguejo, volta. 

domingo, 10 de abril de 2011

Joana

Lisboa  
                                                                                                                                            
Querida Marta,
Já há algum tempo que estou para te escrever. Talvez o medo seja maior do que a vontade ou talvez sinta que não precise mais de te transmitir, tudo aquilo que estás realmente farta de ver. Estou no hospital e agora entendo tudo o que passaste melhor do que nunca.
Encontrei-me com a Rita e ela trouxe-me mais duas doses. A minha intenção era guardar a segunda dose, para quando achasse necessário. A Rita convenceu-me a tomar a segunda e vim parar aqui. Tenho a certeza que ela não queria que eu viesse parar aqui, disse apenas que a sensação era mais reconfortante a dobrar.
O meu pai acordou para a vida e, agora que estou internada lembrou-se que ainda tinha uma filha. Talvez seja tarde demais, onde estava ele quando comecei com isto? Passa as noites todas comigo e o mais estranho é mesmo que deixou o trabalho por mim. Pela primeira vez trouxe-me um ramo de rosas. Talvez já tenha percebido que para mim, o tempo parou. Não haverá relógio que fará o tempo voltar atrás.
O Pré-Histórico também me tem vindo a surpreender cada vez mais, depois das aulas vem visitar-me e ficamos os dois a falar sobre o Lucas e sobre a nova escola dele. Vê lá, já se adaptou à turma. Sinceramente nem sei como, com aquele mau feitio.
A minha mãe diz que não sabe como me tornei nesta Joana. Pensa que falhou e chora sempre que vem ver-me. Não sei o que lhe dizer para a tirar desta situação.
Os médicos receiam que o meu corpo não aguente os tratamentos mas também já não me importo. Sei que se não aguentar vou ter contigo e com a avó.
Sinto-me fraca, sinto que a minha cabeça pesa quinze quilos e não aguento mais. O Pré-Histórico acabou de chegar, vou falar um pouco com ele e talvez mais tarde execute mais uma sessão deste maldito tratamento.
Até já, um beijo,
Joana. 

sexta-feira, 8 de abril de 2011

28 # Carta para alguém que mudou a tua vida

Parece ainda ontem, um dia sem começo. Mudaste-me a vida, sem pedidos, sem esforços. E acho que possuis esse poder avassalador em todos os locais que te atreves a pisar.  Talvez não fosses a pessoa mais adequada para desabafar no momento, mas apareceste na altura certa. Houve uma altura onde pensei que a tua presença já mais seria substituída e confesso convencer-me cada vez mais sobre isso.
Receio saber que algum dia poderás sofrer. Não sei explicar. Sinto que não te posso largar. Como as nuvens precisam do céu.
Não posso nem vou deixar-te cair, porque mesmo quando quiseres debruçar-te, eu segurar-te-ei irmã

quarta-feira, 6 de abril de 2011

life

1.     Foto do teu perfil do Facebook

2.       Uma foto tua de um ano atrás
3.       Uma foto que te faz feliz
4.       Uma foto do último lugar onde passaste férias
5.       Uma foto tua
6.       Uma foto que te faz rir
7.       Uma foto de alguém que tu amas
8.       Uma foto da tua banda favorita/músico
9.       Uma foto da tua família
10.   Uma foto tua em bebé
11.   Uma foto do teu filme preferido
12.    Uma foto da tua melhor amiga
13.    Uma foto do teu melhor amigo
14.    Uma foto de um dos membros da tua família
15.    Uma foto tua e de alguém que tu amas
16.   Uma foto da última festa que tu foste
17.    Uma foto tua pedrada
18.    Uma foto da tua turma
19.   Uma foto de uma visita de estudo
20.   Uma foto de algo que tu gostas de fazer
21.    Uma foto tua em pé
22.   Uma foto da tua cidade
23.   Uma foto tua com o teu cabelo bonito
24.   Uma foto de uma noite que tu gostaste
25.   Uma foto de um fim de semana
26.   Uma foto do verão passado
27.   Uma foto do que comeste hoje


29 # Carta para a pessoa a quem queres contar tudo, mas tens medo de o fazer



É difícil manter-me aqui recolhida no meu canto, onde na verdade eu só queria estar ao teu lado. Não pedia para ser o teu ser e tu seres o meu, pedia-te apenas aquele apoio que tu tanto sabes dar. Às vezes imagino-te tal como eu. E na verdade chego à conclusão de que somos completamente iguais. Podes ter os olhos cor de cenoura e eu de limão, mas à escala dos observadores ambos são prateados. Sorris por fora, tentando abrandar o som das tuas lágrimas interiores.
Tenho pena que sejamos assim.
Podia até mandar-te mensagem e contar-te tudo, mas tenho medo. Tenho medo que vaciles às minhas palavras, tanto quanto eu. Tenho medo que desprezes tudo aquilo que seja transmitido. Tenho vontade, mas o medo não deixa. 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Entre quatro paredes (cap8- Madrugada)

Quando o vento já soprava na direcção da minha pele, o meu olhar brilhou e os nossos lábios soltaram-se. Talvez o tempo tivesse parado mesmo e aquele ambiente todo acolhedor, não passasse apenas de um sonho. A cada passo que dávamos, sentia que o mundo girava à sua volta.
-Gaspar, o que foi isto?
-Desculpa.
Juntos deitámo-nos na relva e não tive coragem, se quer para lhe dizer que aquilo não tinha sido um erro. Aconcheguei-me nos braços dele e disse, contemplando as estrelas:
- Amanhã já me vou embora.
-A distância não transforma aquilo que sinto por ti.
-Isso não é verdade, a distância vai ser sempre um problema.
-Se quisermos.
-Torna-se inevitável, Gaspar.
- Eu estou aqui para mudar isso.
-Mal nos conhecemos.
- O tempo cura tudo, só não cura a saudade.
- Enquanto as duas pessoas quiserem, também cura a saudade.
- Lá está.
Sorri. Ele queria estar comigo, independentemente da distância, independentemente do tempo. Ele queria.
-Vamos jogar um jogo.
-Que tipo de jogo?
-Não és tu que dizes que mal nos conhecemos? É tempo de mudar isso.
- Começo eu.
- Não, eu. Vives com quem?
- Não quero falar disso, Gaspar. Desculpa.
- Temos de confiar um no outro, se queremos que isto dê certo.
-Eu confio, dá-me tempo, só isso. Começo eu. Irmãos?
- Tenho dois, um mais novo e uma mais velha.
***
E ficamos assim os dois, o resto da noite a conversar, até que infelizmente, a Marta me telefona.
-Vem para dentro,. Já é tarde.
- Desculpa amor, não me apercebi que já era tão tarde. Dois minutos.
Fui para dentro e só me lembro de acordar, com uma mensagem linda do Gaspar.