alicerce

quarta-feira, 6 de abril de 2011

29 # Carta para a pessoa a quem queres contar tudo, mas tens medo de o fazer



É difícil manter-me aqui recolhida no meu canto, onde na verdade eu só queria estar ao teu lado. Não pedia para ser o teu ser e tu seres o meu, pedia-te apenas aquele apoio que tu tanto sabes dar. Às vezes imagino-te tal como eu. E na verdade chego à conclusão de que somos completamente iguais. Podes ter os olhos cor de cenoura e eu de limão, mas à escala dos observadores ambos são prateados. Sorris por fora, tentando abrandar o som das tuas lágrimas interiores.
Tenho pena que sejamos assim.
Podia até mandar-te mensagem e contar-te tudo, mas tenho medo. Tenho medo que vaciles às minhas palavras, tanto quanto eu. Tenho medo que desprezes tudo aquilo que seja transmitido. Tenho vontade, mas o medo não deixa. 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Entre quatro paredes (cap8- Madrugada)

Quando o vento já soprava na direcção da minha pele, o meu olhar brilhou e os nossos lábios soltaram-se. Talvez o tempo tivesse parado mesmo e aquele ambiente todo acolhedor, não passasse apenas de um sonho. A cada passo que dávamos, sentia que o mundo girava à sua volta.
-Gaspar, o que foi isto?
-Desculpa.
Juntos deitámo-nos na relva e não tive coragem, se quer para lhe dizer que aquilo não tinha sido um erro. Aconcheguei-me nos braços dele e disse, contemplando as estrelas:
- Amanhã já me vou embora.
-A distância não transforma aquilo que sinto por ti.
-Isso não é verdade, a distância vai ser sempre um problema.
-Se quisermos.
-Torna-se inevitável, Gaspar.
- Eu estou aqui para mudar isso.
-Mal nos conhecemos.
- O tempo cura tudo, só não cura a saudade.
- Enquanto as duas pessoas quiserem, também cura a saudade.
- Lá está.
Sorri. Ele queria estar comigo, independentemente da distância, independentemente do tempo. Ele queria.
-Vamos jogar um jogo.
-Que tipo de jogo?
-Não és tu que dizes que mal nos conhecemos? É tempo de mudar isso.
- Começo eu.
- Não, eu. Vives com quem?
- Não quero falar disso, Gaspar. Desculpa.
- Temos de confiar um no outro, se queremos que isto dê certo.
-Eu confio, dá-me tempo, só isso. Começo eu. Irmãos?
- Tenho dois, um mais novo e uma mais velha.
***
E ficamos assim os dois, o resto da noite a conversar, até que infelizmente, a Marta me telefona.
-Vem para dentro,. Já é tarde.
- Desculpa amor, não me apercebi que já era tão tarde. Dois minutos.
Fui para dentro e só me lembro de acordar, com uma mensagem linda do Gaspar. 

30 # Carta para o teu reflexo no espelho

Reflexo,
 “É inacreditável como nos conhecemos há tão pouco tempo e já tenhamos passado por tanto.” Talvez estas palavras te soem a melodias familiares e a verdade é que à cerca de um ano e tal me atrevia a citá-las sem medos.
É engraçado como neste preciso momento estou a falar contigo e sorrio livremente, lembrando-me das nossas conversas absurdas, sem nexo algum. És um ser extraordinário, confesso. Orgulho-me de para mim, seres um irmão que nunca tive. Confesso que me faltam as palavras, talvez porque tudo aquilo que tiver que te dizer, já tenha dito…
Como todas as amizades, já tivemos os nossos altos e baixos e tive medo de fracassar. Talvez quem tenha errado, tenha sido eu. Naquela altura, quando falávamos sobre os reis, não te devia ter deixado partir.
Tal como um espelho faz parte do meu dia-a-dia, tu farás sempre. 

quinta-feira, 31 de março de 2011

apetecia-me


O que me apetecia mesmo, era ficar aqui a noitinha inteira a ver filmes e a lamentar-me sobre eles. Mas infelizmente amanhã tenho aulas,
kisses

Entre quatro paredes (cap7- o primeiro beijo )

Os passos dele soava-me a galhos quando se partiam e o seu olhar parecia uma luz intensa, vinda dum túnel obscuro. O som da minha pulseira da sorte ressoava nas paredes invisíveis. Quando já estávamos mais ao menos a um metro de distância os meus olhos percorreram o chão e de seguida os olhos dele encontrava-se completamente colados nos meus.
-És linda Rita. – deslizou a sua mão sobre o meu rosto e deixou-a ficar por ali.
-Não inventes Gaspar – sorri.
Sem que dê conta ele já me estava a beijar. Não tive tempo para qualquer tipo de reacção ou rejeição. O meu coração palpitava mais forte do que nunca e eu não sabia o que fazer naquele momento. Decidi deixar-me levar, já que a minha cabeça não me ajudava a decidir. 

não há dúvidas ! II

É inacreditável mas mais uma vez tive razão. Sinceramente, depois destes meses todos eu preferia nunca te ter conhecido da maneira como conheci. Falsa, cínica e outros defeitos atingem-te com toda a força e tenho pena que a tua maior fraqueza seja mesmo deixares que te inundam. Olho-te de cima, sim. Talvez nunca vás a saber isso, ou melhor, talvez até já saibas. Pena que ao atingires esse teu apogeu tenhas que submeter a felicidade dos outros. Não ligas a meios para atingires os teus fins. Toda a gente sabe disso. Tenho pena de que não me conheças o suficiente para saberes quando me encontro na miséria. Talvez a tua definição de miséria se conjugue como felicidade para mim.
Já pensaste quantas vezes choraste por não saber definir simples cubos? Pois. Para ti todas as linhas desse cubo não tinham fim, o que é uma verdadeira idiotice, se é que me faço entender. Não me contestes sem me conheceres.
Ridículo? Ridículo é o modo como te atreves a odiar algum ser. Já mais te odiaria. Ódio é um sentimento adquirido pelos animais, na hora da caçada. Onde são capazes de destruir tudo e todos que se atravessarem no seu caminho para atingir o seu objectivo. Realmente tens razão, estás-te a tornar assim. Deixa-te dessa revolta interior. Só te causa dor na alma.
Sabes porque é que sou superior e me encontro neste nível? Subi até aqui com muito suor, gastei muita sola de sapatos, limpei muitas escadas sujas pelos teus pés e suportei muita dor não só minha, como de quem amo verdadeiramente. Envergonhada por me ter redimido desta maneira? Não, orgulhosa.
Ao contrário de ti, meu amor, eu sempre obtive aquilo que merecia, sem que por isso alguém chorasse ao nível dos meus olhos.