alicerce

quinta-feira, 31 de março de 2011

apetecia-me


O que me apetecia mesmo, era ficar aqui a noitinha inteira a ver filmes e a lamentar-me sobre eles. Mas infelizmente amanhã tenho aulas,
kisses

Entre quatro paredes (cap7- o primeiro beijo )

Os passos dele soava-me a galhos quando se partiam e o seu olhar parecia uma luz intensa, vinda dum túnel obscuro. O som da minha pulseira da sorte ressoava nas paredes invisíveis. Quando já estávamos mais ao menos a um metro de distância os meus olhos percorreram o chão e de seguida os olhos dele encontrava-se completamente colados nos meus.
-És linda Rita. – deslizou a sua mão sobre o meu rosto e deixou-a ficar por ali.
-Não inventes Gaspar – sorri.
Sem que dê conta ele já me estava a beijar. Não tive tempo para qualquer tipo de reacção ou rejeição. O meu coração palpitava mais forte do que nunca e eu não sabia o que fazer naquele momento. Decidi deixar-me levar, já que a minha cabeça não me ajudava a decidir. 

não há dúvidas ! II

É inacreditável mas mais uma vez tive razão. Sinceramente, depois destes meses todos eu preferia nunca te ter conhecido da maneira como conheci. Falsa, cínica e outros defeitos atingem-te com toda a força e tenho pena que a tua maior fraqueza seja mesmo deixares que te inundam. Olho-te de cima, sim. Talvez nunca vás a saber isso, ou melhor, talvez até já saibas. Pena que ao atingires esse teu apogeu tenhas que submeter a felicidade dos outros. Não ligas a meios para atingires os teus fins. Toda a gente sabe disso. Tenho pena de que não me conheças o suficiente para saberes quando me encontro na miséria. Talvez a tua definição de miséria se conjugue como felicidade para mim.
Já pensaste quantas vezes choraste por não saber definir simples cubos? Pois. Para ti todas as linhas desse cubo não tinham fim, o que é uma verdadeira idiotice, se é que me faço entender. Não me contestes sem me conheceres.
Ridículo? Ridículo é o modo como te atreves a odiar algum ser. Já mais te odiaria. Ódio é um sentimento adquirido pelos animais, na hora da caçada. Onde são capazes de destruir tudo e todos que se atravessarem no seu caminho para atingir o seu objectivo. Realmente tens razão, estás-te a tornar assim. Deixa-te dessa revolta interior. Só te causa dor na alma.
Sabes porque é que sou superior e me encontro neste nível? Subi até aqui com muito suor, gastei muita sola de sapatos, limpei muitas escadas sujas pelos teus pés e suportei muita dor não só minha, como de quem amo verdadeiramente. Envergonhada por me ter redimido desta maneira? Não, orgulhosa.
Ao contrário de ti, meu amor, eu sempre obtive aquilo que merecia, sem que por isso alguém chorasse ao nível dos meus olhos. 

quarta-feira, 30 de março de 2011

Entre quatro paredes (cap6- Será que vale a pena?)

Pelo caminho, aquele friozinho não passava e mais ao menos de cinco em cinco segundos ele insistia que tinha de fixar os seus lindos olhos, sobre mim. Quase não falei, tive medo dos disparates que pudesse dizer. Ele sorriu durante o caminho inteiro. Mas no que estaria ele a pensar? Confesso que tive vontade de lhe perguntar, mas a pergunta poderia tornar-se um pouco intrometida. Afinal , cada um é livre de pensar aquilo que quer.
-Chegámos linda.
-Sim, obrigada Gaspar – sorri.
Saí do carro e nem tive coragem de o cumprimentar, tive medo do que pudesse ou não acontecer. Por mais que eu quisesse ou não. Estava muito confusa naquele momento, não sabia o que pensar. De repente o telemóvel toca. Marta?
Não, era o Gaspar.
-Era só para não te esqueceres do nosso encontro logo.
-Ainda é para nos encontrarmos?
-Não queres? Tipo, se não
Interrompendo-o.
-Eu não disse que não queria, aliás eu quero e muito, Gaspar.
-A sério?
-Sim, logo à mesma hora.
Desliguei de seguida. Fiquei boquiaberta comigo mesma, como poderia eu ter dito aquilo? Sem gaguejar, sem atropelar palavras sucessivamente? Será que ele teria ficado com mau aspecto? Decidi falar com a Marta, ela conhece bem o Gaspar.
-Marta? Disse ao Gaspar que queria estar com ele.
-A sério? – largou os livros e veio sentar-se ao meu lado, na sua cama – conta-me tudo.
-Não foi nada de mais, encontrámo-nos no rio e ele veio trazer-me. Depois ligou-me a dizer que queria estar comigo na mesma logo mas respondi-lhe torto e para me redimir disse que queria estar com ele.
-E queres mesmo?
-Claro, se não quisesse não tinha problemas em dizer. Mas tenho medo de me magoar.
-Acho que já ouvi isso em algum lado. – sorriu - é assim amor, se não arriscares não vais saber. Mas garanto-te que o Gaspar não é desses rapazes que estás a pensar. E se isso acontecer, eu vou estar aqui, como sempre, para te apoiar. – abraçámo-nos.
-Obrigada prima.
***
E estávamos ali os dois, frente a frente, como se o tempo tivesse parado para nos ver. De noite, parecia que o mundo era só nosso.  

terça-feira, 29 de março de 2011

Entre quatro paredes (cap5- A chuva)

Durante o caminho, o tempo foi mudando. O ar foi-se tornando gélido e o sol já não sorria com tanta intensidade. As nuvens pareciam que se iam juntando aos poucos, até que taparam por completo o sol.
Finalmente tínhamos chegado. Apesar do frio que estava, a minha irmã insistia que tinha de correr e libertar toda aquela energia dentro de si. A Marta preferiu ficar deitada na relva, talvez à espera que chovesse, a contemplar as suas melodias. Decidi ir dar uma volta, já que estar ali ou noutro lugar qualquer não lhes fazia diferença.
Os pássaros voavam todos em direcção sul, as árvores tremiam instantaneamente às brisas que percorriam o local, o rio estava límpido e não havia nenhuma ave que se arriscasse a nadar contra a corrente. Lá ao fundo era visível um bar, talvez um bom local onde me pudesse aquecer.
De repente o ambiente torna-se escuro, uma tempestade enorme avistava-se. As minhas amigas nuvens não conseguiram suportar por mais tempo aquele peso que, à primeira vista, parece mais leve do que uma pena. As minhas pernas berravam de tanta dor e o meu cabelo chorava destroçado. De súbito aparece alguém atrás de mim que me abriga e me rodeia o corpo. O gesto foi impossível de controlar, olhei para trás e sorri. Era o Gaspar.
-Andas a seguir-me?
- Não sou nenhum perseguidor Rita… Mas a verdade é que te vi lá à trás e pensei que daqui a uns instantes precisasses de mim… precisaste mesmo.
- Não, não preciso. -  desvio-me para a chuva – estou muito bem aqui.
-Não sejas trenga.
Quando acaba a frase, abraça-me e ficamos os dois ali, parados no tempo, olhos nos olhos. Enquanto tudo à nossa volta permanecia, intacto.
Sinto um calor a percorrer-me o corpo, talvez sejam os nervos. Parecia que ele estava cada vez mais próximo de mim, ou talvez não estivesse mesmo. Mas quando dei por nós, estávamos quase a beijar-nos... até que alguém me liga.
- Desculpa, tenho mesmo que atender. – proferi.
Gaspar sorri como forma de resposta.
-Rita? Onde é que estás?
-À beira do café e vocês?
-Já estamos em casa, pensamos que tinhas vindo para cá.
-Sozinha? Não, abriguei-me aqui.
O Gaspar tenta fazia gestos, que não resultaram em nada, pois não percebia o que me queria transmitir.
-Não te preocupes, Marta, estou aí em quinze minutos.
-Até já amor.
É inacreditável mas ainda estávamos abraçados e a chuva parecia que não queria parar. O meu cabelo estava completamente molhado e a minha pele, naturalmente, molhada.
-Vou levar-te a casa. – inquiriu o Gaspar.
-Nem pensar – larguei-o – está a chover muito.
-Por isso mesmo, levo-te de carro, é rápido, não te preocupes. Prometo não te fazer mal.
-Andas com umas piadas engraçadas, andas…
-Então vamos? O tempo não pára.
Ele insistia que o meu ombro servia de abrigo para o dele e eu, deixava-me levar e sobrepunha a minha mão, rodeando a anca dele. 

white IX

É tão absurda a forma como nos encontramos e desencontramos em tão ínfimas fracções de tempo .