alicerce

terça-feira, 15 de março de 2011

o que está a acontecer

Já não me lembrava de ti e confesso mesmo não sentir a tua falta, de jeito algum. Invades-me o pensamento à noite, quando todos os anjos elevam o seu respirar solene. Preferes invadir-me desse jeito, para garantires que durante o dia, o meu pensamento não esteja sobre ti, mas sobre aquilo em que juntos, sonhávamos.
Falo mal de ti, tens de perceber. É inevitável, depois de tudo o que fizeste. Bláblá para aqui, bláblá para ali e afinal, és sempre aquela pessoa, a quem um papel rasgado não basta. Gostas do sentimento de posse, gostas de sentir que mesmo distantes, os objectos que te rodeiam sejam teus e só teus. Não admites que ninguém lhes invada qualquer tipo de sentimento obscuro e depois disso, tratas de fazer sofrer quem tenta fugir ao teu questionário (de veras perturbante). O teu vocabulário é limitado e fazes questão em que continue assim. A tua arrogância aumenta a cada dia que passa e confesso não entender a mudança que se deu em ti. Sabes dizer que já passaste por muito, mas não sabes agir às mudanças que isso causou. No passado dizia-te que estaria aqui, independentemente do futuro, do presente. Hoje digo-te que não precisas de mim para isso.
Refugia-te meu amor, abstrai-te e deixa essas tuas necessidades que só te matam aos poucos de lado.  Lembra-te da tua família, que tal como a minha, está repartida mas não deixa de ser um conjunto, com características especiais. Já paraste um pouco para pensar, no teu passado repugnante? Não me parece.
Essa tua mudança constante, vai matar-te aos poucos, sem que te apercebas do que está a acontecer. 

domingo, 13 de março de 2011

rafinha? bom dia !

Estou completamente dorida e sem forças para nada. O mundo desabou sobre mim, novamente. Mas só a minha alma o sente. O meu olhar transparece dor e o meu sorriso engana os mais fiéis parceiros. Pareço andar torta e os meus braços, acompanham o movimento leve e lento das minhas pernas. Oiço vozes a chegar, que se afastam lentamente. Sinto o telefone a tremer mas decido adormecer.
Os pesadelos não me largam, por mais longe que eu esteja. Pestanejo duas e três vezes até que o ambiente calmo e morno me volte a elucidar de que estou completamente de rastos. Decido ficar mesmo ali, sobre a cama e acalmo o meu ânimo com uma boa série. E depois? Outra. Até que percorro todos os duzentos e tal canais e me apercebo que nada é do meu interesse. Decido erguer-me, beber o meu copo de leite e ir para a cama. Afinal o meu mundo sempre esteve cercado por quatro paredes, que por mais chuva ou sol que faça, nunca me deixam sós. Deixo a resposta àqueles que me ouvem diariamente e sigo em direcção de um novo mundo.
Nesse mundo, a realidade é o meu maior alvo. Decido reflectir, reflectir umas horas, comigo. Percorro recordações. Desde fotografias, a mensagens, que confesso já se encontrarem perdidas na minha mente. Entre elas, surgia sempre um sorriso. Até que cheguei ao momento onde não podia fugir mais. A minha mente perdeu-se completamente na abstracção e atingiu o meu ponto fraco. Observei todas as mensagens com uma expressão completamente nula e quando me deparo com uma que citava: “Rafinha? Bom dia!”. Uma lágrima percorreu o meu rosto, devido a toda aquela nostalgia. Tal foi a dor recordada que, sem hesitar desliguei o telefone. Mas já era tarde demais. A minha mente já estava completamente invadida. As minhas mãos tremiam e os pés gelavam.
Decidi deixar fluir, algo que estava diante dos meus olhos e mais uma vez, o coração atraiçoou-me a alma. 

my sister's keeper

toda a gente devia argumentar, uma vez na vida, esta história. 

quarta-feira, 9 de março de 2011

mistake

Provocas horrores em mim. Vejo-te ao longe por te conhecer tão bem, em tão pouco tempo. Já fizeste percorrer ao longo do meu corpo, os mais diversos sentimentos.
Odeio-te. Odeio-te por me teres feito acreditar que eras diferente. Afinal és tu, um igual ser a todos os outros. Respiras, olhas, ouves e pouco mais. É triste lembrar-me que te considerei tanto, meu amor. Não sei o que me passou pela cabeça.
Gosto de me deitar, agarrar no meu peluche. Nessas alturas vens à minha mente e decides torná-la num local completamente disperso. Decido mandar-te embora e pedir que não voltes. Encontro os auriculares. Coloco-os e abstraio-me da tua imagem, do som da tua voz que vagueia na minha memória. Sinto o ritmo do som, mas a imagem decide ficar. Adormeço e é quase indispensável dizer que sonhei mesmo contigo.
Lá, eu sabia quem tu eras tal e qual. Mas ao contrário de agora, que estou com os pés bem assentes na terra, eu deixava que tu me comandasses. Sentia-me presa, como se não pudesse proclamar o dever que exerço sobre mim mesma. Cometi erros e sorria, como se nada tivesse acontecido. Olhávamo-nos nos olhos e eu tinha coragem de deslizar a minha mão, sobre a tua barba, jovem. Independentemente dos erros, o sonho fazia com que não me importasse. Eu podia dizer, novamente, que te amava.
Não vou deixar que esta lágrima, escorra pela minha face angustiada. Eu acordei e o teu mundo, o nosso mundo (se é que algum dia o poderei chamar desse modo) estilhaçou-se. Já não sou capaz falar contigo, como poderia ter falado. Não faço questão em ver-te novamente, mas não queria que desaparecesses eternamente. Fizeste-me bem. Fizeste-me sorrir como ninguém e a única coisa que eu pedia, era ter o teu ombro do meu lado, como no início. Lembraste do inicio? Quando falávamos sem fim e eu dizia que eras um amigo, um bom amigo. Sorria pela pessoa que transmitias ser e agora, apetece-me chorar pelo ser que és.
Mais do que isso, desiludiste-me.
Se eu estiver a sonhar, talvez me arranques de novo um sorriso. 

terça-feira, 8 de março de 2011

por um dia

Já oiço os risos à distância e anseio a chegada. Sinto-me bem, gosto de ser assim, nem que seja por um dia. Uns questionam-se com a pergunta “quem é aquela menina?”, outros troçam a batida das minhas pegadas.
Vista de longe pareço realmente aquilo que queria parecer. A mulher que mais me ama e controla ri-se antes que eu apareça a seus olhos e insiste em dizer que fico linda, de qualquer jeito. Agarro naquilo que na minha mente está perfeito, visto e deparo-me com uma imagem avassaladora. Penso em acessórios, materiais ao qual poderei dar uso. Só um chega ao meu olhar.
Imagino uma grande noite, lua cheia. Gosto de observar o seu crepúsculo. Rua cheia de pessoas, todas diferentes. Cada uma com o seu sorriso, cada olhar com a sua cor. Fico inundada nesse ambiente que insiste em reconfortar-me e deixo-me por lá, um pouco perdida. Não me importava com o efeito que esse deserto causava em mim, já que me levava a outro mundo bem térreo.
Acho que já não me importo com qualquer sensação que se atravesse no meu caminho. Habituei-me a cada uma delas e como já não são estranhas, trato-as como vizinhas. Cumprimento-as cuidadosamente para não correr o risco de ficar mal vista e decido interiorizar-me e adaptar-me a uma.
Entretanto a minha alma encontra-se ocupada. Quem quer que seja que decidiu entrar libertou algo em mim que estava desconhecido. Persisti em tentar reconhecer. Tempo perdido.
A noite já se encontrava no fim e o ser sumiu-se com ela. Gosto de ser assim, por um dia.