quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
clock1- II
***
Sinto-me completamente noutro mundo. Apetece-me gritar. Esta dor, esta dor. Estes ponteiros, estes segundos. Estou a dar em maluca.
Sinto-me completamente noutro mundo. Apetece-me gritar. Esta dor, esta dor. Estes ponteiros, estes segundos. Estou a dar em maluca.
Levantei-me como podia, agarrando-me às paredes com o único braço que se encontrava disponível. Quando passado alguns segundos, cheguei ao meu destino, sentei-me no chão com esperança que alguma alma caridosa me pudesse ajudar. O meu braço já sangrava e não sabia o que fazer para estancá-lo. A abertura era tão grande que podia jurar que coubessem lá dois dedos. Começo a ouvir passos e tento levantar-me, mas acabo por cair tantas vezes que desisto.
De súbito aparece a minha mãe, que entra em estado de pânico quando me vê sentada, enquanto lhe tento esconder o braço e exerço um sorriso forçado.
- O que é que tens aí? – pergunta-me sentando-se ao meu lado, levantando-me o braço até que este se tornasse visível.
-N…nada – uso um sorriso forçado que não transparece de todo a minha alma
- Nada Carolina? O que é que fizeste ao braço? – ela perde a paciência e recorre ao seu olhar maléfico.
Nem me dei ao trabalho de responder, sabia perfeitamente o quão absurdo seria tentar explicar-lhe que bati com o braço na cómoda. Levou-me para o quarto e desapareceu. Decidi tentar adormecer, apesar de saber que não faltava muito tempo para, mais uma vez ser invadida. Oiço novamente o som do meu relógio. Já eram quatro da manhã e o sino tocou as quatro vezes. Cada som emitido soou-me a quatro, estava completamente tonta e cheia de dores.
O sangue parecia não acabar e a minha mãe estava já à meia hora a curar-me o braço. Devia pensar que estava no hospital!
Se eu quisesse estar tanto tempo a ser curada, ia para o hospital e fingia-me de coitadinha! Não a aguento mesmo. Trabalha dez horas por dia, chega a casa às tantas e ainda por cima tem a decência de reclamar comigo! (era mesmo o que faltava)
Finalmente foi-se embora. Estava a ver que não.
O pior mesmo é que estou com o braço todo inchado e ligado até aos cotovelos. Só espero amanhã poder tirar as ligaduras, causam comichão.
Quero dormir, estou exausta. Mas o relógio não me deixa, outra vez...
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
clock1- I
Estou farta deste silêncio constrangedor, desta harmonia repetitiva. O relógio insiste em não se calar e os segundos em continuar. Oiço um a um como se fosse o último mas a minha mente paira longe, talvez já quase no deserto.
Vejo imagens sobrevoarem a minha mente, mostrando-me realidades que não quero lembrar. As minhas mãos cruzam-se tentando aquecer-se. Os meus joelhos envolvem-se e a minha cabeça baixa-se. Tento cerrar os olhos. E de súbito já sentia o meu coração a arder, despedaçando-se aos poucos.
Posso tentar erguer-me, parar o tempo. Parece que os ponteiros do relógio se fazem ouvir, cada vez com mais intensidade e que os segundos estão a voar cada vez mais depressa. Consegui levantar-me mas acabei por me desequilibrar e bater com o braço na ponta da cómoda. O silêncio mantém-se inquebrável apesar de gemer de dores ao tentar dobrar o braço. O som dos ponteiros está cada vez mais forte. Isto está a dar cabo de mim...
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
passado que tanto amei,
Está-me a custar imenso. Está-me a custar imenso ver-te fugir ao longo da costa agitada. Confesso que estou a perder as forças, a fracassar. O meu olhar já se encontra fatigado de tanta vez que te tentei ver, sentado ao meu lado, sorrindo para mim, contando-me um conto. Fazes questão em aparecer ao longo dos meus sonhos, enquanto me contas a história de um destino. Tentas efectivamente que me relacione com o tal conto, dizes que eu sou dele e que ele é meu.
Começas por me mostrar o final da história, citando sempre tudo, com o sorriso mais profundo que pude observar. Dizes-me que ela e o rapaz ficam juntos e que não sabem viver um sem o outro. Obrigas-me a contar todas as lágrimas derramadas ao longo do conto para que eu aprenda com os erros, para que eu sofra tal e qual, ou mais do que ela. Gostei especialmente da altura em que referiste o facto de a rapariga ser envergonhada, de estar completamente doida com o tempo e de não se sentir bem. Pelo que me contaste, o rapaz tem mesmo bom coração, dou-lhe valor. Mesmo depois de a rapariga não ter mostrado o seu estado real diante dele, ele persistiu e mostrou o impressionante valor que é capaz de plantar num ser.
Confesso ficar emocionada enquanto, durante esses mesmos sonhos tentas transparecer uma realidade à qual não estou habituada.
Dou por mim acordada, chamando o teu nome e esperando que apareças. Decido levantar-me, olhar-me ao espelho e aperceber-me que mais uma vez, o conto se foi. Foi-se o conto e tudo de bom do que ele me trazia. Eu estaria disposta a lutar, se tu também estivesses. Eu estaria disposta a sorrir para ti diariamente se o meu sorriso te transmitisse paz, paz e serenidade. Serenidade que tu escolheste terminar com o primeiro acto repulsivo. Lembro-me de insistir em manter-te junto de mim e de, no final esse esforço dar resultado. Acho que desta vez não vale a pena, porque já antes me disseram: a reciprocidade é realmente importante.
Prefiro embalar-te agora eu. Embalar-te nas minhas pernas e ouvir o teu ressonar de leve. Acho que me bastaria, para sonhar.
Por vezes tenho medo deste mundo e do outro, confesso odiar cada vez mais as falsidades e rodeios que tudo isto implica mas, mesmo assim prefiro desistir. Errar, eu não errei. Talvez tu também não o tenhas feito, mas ao contrário de mim… eu falei, eu expliquei.
Cansar-me? Eu não me cansei. Prefiro apenas que me dês as provas do passado que tanto amei.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
ajuda-me a ser eu, só eu
Estou farta de percorrer tudo o que me rodeia com um simples olhar. Começo a fartar-me realmente do som dos trovões e de ouvir o meu cão a ladrar, cheio de medo. Estou farta de olhar para o meu telemóvel, acho que vou mesmo desligá-lo. Não vale a pena esperar ou até tentar mais uma vez. Começo a não gostar destes teus desafios. Gostas de me ver sofrer, eu sei, mas uma vez não basta? Deixa-me um segundo. Só quero respirar livremente sem medo que estejas atrás de mim, pregando-me uma rasteira, sem que me aperceba.
Lembraste quando eu te pedia apenas um momento? Agradeço-te por mo teres concebido. Eu devia ter recuado a tempo, não pudeste fazer mais. Avisaste-me com tempo e eu deixei que a minha cabeça comandasse tudo o resto. Afinal, eu só queria um momento. Obrigada.
A hora estava prestes a chegar e eu já não aguentava. Podia recuar, repito. A minha teimosia não dá para mais. O meu estado de humor não estava senil e eu, muito menos. Preferi arriscar a manter-me no meu canto. Agora estou assim. Mais uma vez, perdida. O pior de tudo, é mesmo teres feito com que me esquecesse de tudo o que tinha para dizer, de tudo o que tinha para fazer. Não gostei que incumbisses em mim um sentimento que não estou habituada a sentir, seja em que altura for. Podias ter-me feito passado por isso, antes, para que eu soubesse como agir.
Agora eu vou tentar recuperar, o que tu me obrigaste a perder e me ajudaste a conquistar. Só te peço uma coisa, para a próxima, ajuda-me a ser eu. Só e apenas eu.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
futuro
Já há algum tempo que o vento não soprava nesta direcção. Tenho medo da tempestade que se aproxima e da primavera que passou. Os pássaros deixaram de me cantar aos ouvidos com tanta força e passaram a embalar-me junto de um arbusto.
As nuvens persistem em se aproximar e até há muito pouco tempo, consegui mantê-las distantes do meu arvoredo. Mas infelizmente elas são imponentes e aniquilam-me sem muito esforço. Odeio realmente que a vida me pregue estas partidas. Odeio a primavera e o inverno, odeio quando os pássaros estão prestes a embalar-me e odeio ainda mais quando o som da chuva está a transmitir-me a paz de que necessito. Não gosto de sorrir para o céu quando este está prestes a apunhalar-me com uma simples chuvada. A vida insiste, insiste em fazer-me uma outra pessoa.
Gostava da minha pessoa, da persistência e sobretudo do êxito. Gosto do meu sorriso e do modo como me exponho aos sonhos e às realidades.
Vou pensar, again.
Talvez eu tenha exposto demasiado isso mesmo e esteja a culpar esses simples gestos. Vou repensar, só mais uma vez o meu futuro. Tenho pouco tempo, já que o futuro é mesmo daqui a um simples segundo.
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