O modo inesperado como te conheci fez-me pensar que não valia a pena acolher-te junto de mim, pensei realmente que falaríamos durante uns dias e já mais nos cruzávamos. Enganei-me. A tua linda voz já é capaz de me chatear há meses e confesso não querer largá-la. Habituei-me realmente a que por ti, chegasses até a mim. Isso mudou. Agora tenho que ser eu, a lembrar-me de ti, a tentar mudar aquilo que está traçado e ouvir-te realmente, estragar-te.
Não te considero apenas uma amiga, considero-te uma irmã. O nosso caminho possuí realmente ruas em comum e foi inevitável, cruzá-las. Sabes que há coisas em ti das quais não gosto, nomeadamente a tua teimosia ou o facto de seres só por ti. Gosto de ti, mas não gosto de já seres capaz de alterar o meu estado de espírito com uma simples palavra. Conheces-me bem (demasiado bem até).
Sabes que não te quero perder, boneca. Promete-me mais uma vez que isso não acontecerá. Tenho saudades das noites em que me ligas, completamente histérica, quase a chorar. Tenho saudades de contigo, construir uma música sem pés nem cabeça. Tenho saudades da tua gata com os olhos vermelhos. Tenho saudades de te ouvir tocar (muito mal) guitarra. Tenho saudades de te ouvir gozar com alguém. Tenho saudades de contar até três contigo. Tenho saudades de te ver sorrir. Tenho saudades de dizeres «já foi mais um». Tenho saudades de quando me dizes «amo-te irmã». Tenho saudades de ti e de nós.
Lembras-te da primeira vez que me ligaste? Lembraste de atenderes e a primeira coisa que foste capaz de dizer foi «o que é que queres?»? Eu lembro-me, várias vezes até e quando isso acontece surge um sorriso malandro. Não me importava de voltar atrás, percorrer todos os momentos e adoptá-los com mais carinho, ainda. Talvez porque tu já não me cansas.
Irmã, sabes o dia 7 de Outubro? Não vou esquece-lo nunca. Independentemente do que o futuro traga ou leve, independentemente de te tornares realmente uma drogada sem futuro, de mim já não te livras.
