alicerce

domingo, 12 de dezembro de 2010

everybody make their choices



Ao longo destes anos tenho percebido que o mundo já não é o mundo a que me habituei a observar. Hoje sou capaz de ver o que está ao meu redor de formas diferentes e sinceramente? Eu já nem sei se preferia viver na inconsciência e questionar-me a toda a hora sobre o funcionamento, a capacidade e a razão dos factos. Talvez na altura fosse mais feliz por saber tão pouco acerca daquilo que me rodeia, mas tão triste por ser incapaz de explicar factos que são evidentes. E agora eu continuo a questionar-me por razões mais complexas mas chego à conclusão que as simples são as que faziam parte. Tudo se tornou estranho e receoso.
Eu tento encontrar um facto para isto, mas eu não encontro nada e fico mais uma vez, perdida nas incertezas de um caminho. Sinto-me fatigada de percorrer o caminho, sinceramente. Mas apesar de tudo orgulho-me, orgulho-me por conseguir encontrar forças, forças das quais não imaginara ter. E eu sei que vai ser sempre assim, mesmo que me encontre na solidão que nunca é permanente. O que me habituei a observar mudou, mas eu não vou mudar com ele. Cada um faz as suas escolhas.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

I asked love and you gave me melody




Relembro todos estes anos sem ti, anos perdidos. Acho que merecia um bocado de consideração já que sou tudo para ti, como me dizes com o tom de voz mais acolhedor e reconfortante que tive o privilégio de escutar. Desde pequena me habituei a que a demonstração do teu amor por mim se resumisse a palavras sem folgo, palavras das quais não retiro nada, a não ser meros versos que façam vibrar a melodia que tu acolhes com prazer. Já eu rejeito-me a escutar e decorar as pautas dessa melodia, rejeito-me a oscilar enquanto te debruças sobre mim vagarosamente dizendo-me que sou tua menina. E permaneço em mim, longe dos teus encantos melódicos, concentrando-me apenas nas pausas dessas notas musicais, de onde resultam os actos fracos e mirabolantes de um homem que está perdido no mundo.
Acho-te piada, acho-te piada a ti e acho-me com piada também. Por ambos demonstrarmos tal desinteresse em mostrar o que sentimos um pelo outro. Sei bem que esse sentimento é recíproco e essa certeza já ninguém ma pode retirar. Mas então surgem as dúvidas, dúvidas de relance que à distância são indetectáveis, dúvidas de gestos que estão por explicar e dúvidas que ainda estão para surgir neste nosso confronto amigável completamente imundo de pautas sarcásticas. E para quê inundá-las de tal sujidade permanente? E para quê tentar esconder gestos que estão à vista dos cegos com vontade de ver? Para nada. Não há objecção viável, os teus actos são completamente indignos.
Eu ainda tento escutar a melodia e responder que sim, oscilando com as cordas esgotadas de tal som repetitivo. Afinal a única coisa que eu te pedia nem era uma melodia composta por pautas sarcásticas que ficassem no ouvido, a única melodia que eu te pedi foi a melodia do teu amor por mim, melodia que não fica no ouvido, melodia que fica no coração. Melodia que é composta em pautas reluzentes, melodia que não se deixa envolver em vocábulos estonteantes e salientes, melodia que já está instruída desde o dia em que nasci e que tens dificuldade em tocar. Não é pedir muito que mostres um pouco desse teu talento, afinal, tu já sabes a música à treze anos e nunca a exibiste? Apenas te peço que largues essa música entusiasmante e sarcástica. Canta-me aquela que só tu sabes cantar, canta-me ao ouvido, como se fosse um segredo, eu prometo não vacilar.
Quando eu era pequenina pedi-te um rádio da barbie para cantar, eu esperava lá encontrar o segredo da canção, mas eu não o encontrei e foi então que entendi que não há sigilo para a melodia, desde que ela seja cantada com alma e coração, coisa que tu não soubeste fazer. Estou fatigada de ofuscar a realidade dizendo-te que sim com as cordas já cansadas da melodia e eu hoje vou-te dizer exibindo pela primeira vez, com as cordas reluzentes e serenas que tudo o que me tens dado não é nada do que eu queria. Eu pedi-te amor e deste-me melodia.

only that


d: se pudesses, o que é que querias ter agora ?
r: contentava-me com uma simples mensagem

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

never more!


E uma vez mais estou perdida, confesso. Não sei mesmo o que fazer, ou melhor, saber eu sei. Eu sei que tenho de negar e permanecer assim. Mas talvez eu não aguente esta permanência por muito mais tempo. É limitado saber que dou tudo de mim e sei que isso é MUITO! Sempre soube que teria de lutar muito para atingir os meus objectivos, não é que sejas um objectivo, porque na verdade és mais, mas receio desistir antes de atingir. Espero não perder as forças a meio e prosseguir tal e qual como no início, sem descambar, sem cair, mas se isso acontecer eu sei que me erguerei, sem medos. A tua atitude foi completamente irracional, já mais me culparei por isso. Talvez te lembres de mim sem que tenha de te relembrar meu gesto.

domingo, 5 de dezembro de 2010

The mirror



Quando paro um pouco diante o espelho, parece que o mundo muda, parece que há outro lado da vida. Pode ser das coisas mais ridículas, mas sou capaz de parar horas e horas a olhar o espelho, imaginando acontecimentos, contemplando rostos. Não é só pelo facto de olhar para os meus olhos e ver o rosto do meu pai ou olhar a forma da minha face e ver a minha mãe, não. Quando me olho ao espelho consigo sorrir sem fim, consigo imaginar acontecimentos do passado e relacioná-los com todas as situações do presente. Não é ser possessiva.
Quando eu era pequenina amava contemplar fotos (minhas) em bebé junto da minha cara e comparar todos os traços, todos os brilhos. Mas ainda hoje dou por mim a sorrir perdidamente sobre as minhas fotografias, lembrando-me da minha ignorância da altura e desejando manter-me assim por muito tempo. A minha vida deu reviravoltas incríveis que eu já mais imaginaria que houvessem. Desapareceram pessoas que permaneciam comigo desde a minha infância, outras ainda permanecem comigo e há ainda pessoas que nunca imaginei conhecer. Mas o passado já não importa! Tal como já citei anteriormente, aprendi a dar valor a quem realmente se preocupa comigo e àqueles que por mais não saiba quem são, vou aprender a saber.
O espelho? Esse caminhou ao longo da minha vida sempre por perto, porque é mais do que uma simples reflexão do que existe, é também uma reflexão daquilo que não há e daquilo que já houve. Diante dele não vejo apenas o meu rosto, vejo e imagino também o de todos os que me rodeiam e imagino acontecimentos incompreensíveis.
A verdade é que para muitos pode ser estranho, mas para mim o significado está bem nítido.

sábado, 4 de dezembro de 2010

i'm tired




Estou farta disto, sinceramente.
Estou farta de ter sempre que sorrir quando as lágrimas me escorrem pela alma. Estou exausta, esgotei, não tenho de ser sempre eu a tomar iniciativa, não tenho de ser sempre eu a levar com as culpas! É revoltante saber que damos o melhor e mesmo assim somos os mais fracos. Fartei de lutar contra tudo e contra todos e me façam recuar como se uma corrente de vento enfurecida se revoltasse contra mim. Eu sempre dei as minhas opiniões, sempre tive espírito crítico e não vai ser por ti que vou deixar de ser assim! Eu odeio levar com a tua má disposição e mais, sofrer por isso. Tenho a consciência de que não sou perfeita e que já errei muitas vezes, mas quando me avisam do erro, eu deixo de o realizar, eu aprendo.
É frustrante encontrar-nos no meio de uma conversa, avisando-te que ages de forma errada e no final acarretar com as culpas, sinceramente, mais vale deixar-te viver na ignorância e não ligar ao que dizes nem ao que fazes. É tão mau ouvir dizerem-me que ajo de forma errada sem saberem o moral da história, sem saberem o conteúdo das razões! A verdade é que talvez não merecesses mesmo, mas eu também não tenho a culpa de estar aqui, ser Humana e como todos, errar! É tudo menos tranquilizante saber que estás mal e não poder fazer nada, mas eu juro que tento, eu juro. Tenho imenso respeito por ti, mas quando o perdes sobre mim, esquece. Para mim só há respeito mútuo, doutra maneira não seria viável.
Podes até ser tudo para mim, mas eu não mereço ser fruto das tuas revoltas.